
Ahab, tua loucura te consumirá! Talvez um dos personagens mais instigantes da literatura americana, talvez a simples opinião de um leigo que leu poucos livros, não importa. Apesar de ter me entediado com momentos de naturalismo exacerbado ou de descrições fisiológicas da baleia, o livro me ganhou em alguns capítulos. Como por exemplo, o último capítulo antes do início da caçada, em que Ahab prevendo seu fim, em um dos poucos instantes de razão, tenta explicar suas angústias para Starbuck, o primeiro imediato no navio. O capitão pede ao imediato que permaneça no navio enquanto os botes descem à caçada, uma ponta de humanidade brilha em meio à loucura monomaníaca de Ahab.
Mais interessante, porém em alguns momentos extremamente cansativo, é o estilo utilizado por Herman Melville. Do que se nota na tradução, o autor consegue equilibrar na narrativa a animação das caçadas, a excitação dos personagens, a loucura de alguns deles e o comedimento de Starbuck. Alguns trechos são escritos de forma insana, quando pontuados, utilizam-se apenas pontos de exclamação. Em outros, o texto segue lento.
Todo narrado em primeira pessoa pelo marinheiro Ishmael, quase não sabemos nada sobre ele. Os primeiros capítulos descrevem seus dias em terra, sua noite na estalagem, o dia em que conhece o ilhéu selvagem Queequeg, como ambos chegam ao navio Pequod, mas apenas nesses primeiros capítulos sabemos com detalhes dos passos de Ishmael.
A espera por Moby Dick, o monstro branco, é o que mais me prendeu ao livro. Cada detalhe que se ouve sobre o leviatã, cada informação sobre sua localização, cada história sobre a destruição que causa por onde passa, aumentam o mito que o cerca e faz com que a espera se torne mais e mais excitante. E a espera é longa, apenas nos últimos capítulos sabemos do paradeiro da baleia.
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