
Nova York. 1985. O mundo está à beira de um colapso nuclear, os Estados Unidos venceram a guerra do Vietnã, Nixon continua no poder. Este é o pano de fundo para a história de Watchmen (2009), filme recém lançado, dirigido por Zack Znider (diretor de 300 e Madrugada dos Mortos). Apesar de se desenrolar na década de 80, a história dos Watchmen, tem início nos anos 40, quando várias pessoas comuns resolveram vestir fantasias e sair pelas ruas combatendo o crime.
O tempo passou, os primeiros heróis envelheceram, alguns enlouqueceram e outros foram mortos. Mas outros tomaram seu lugar, até que foi criada uma lei proibindo a existência dos vigilantes mascarados. A história se desenrola ao redor da investigação realizada por um dos personagens, Rorscharch, o único que ainda utiliza seu uniforme, após a morte de um dos mais antigos vigilantes, conhecido como “O comediante”.
O filme é baseado na graphic novel homônima escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons publicada entre 1986 e 1987. Devido à sua trama intrincada capaz de unir elementos de humor, política, suspense e cultura pop, Watchmen foi aclamada por público e crítica, logo se tornando um dos mais importantes lançamentos da história dos quadrinhos. Apesar de já ter ouvindo falar muito sobre a HQ, nunca a li, portanto, não pretendo fazer comparações entre o filme e ela.
Apesar de alguns problemas, como o uso excessivo de slow-motion e o pouco espaço dado aos personagens secundários como os minutemen (o primeiro grupo de heróis), Watchmen é um bom filme. Possuindo 163 minutos, o longa acerta na criação de uma Nova York sombria e claustrofóbica enquanto o roteiro consegue aglutinar bem a complexidade de uma história com mais de 400 páginas. Uma das minhas mais gratas surpresas foi descobrir, no dia da estréia do filme, que este recebeu censura para menores de 18 anos, o que significa que assim como a HQ, Watchmen é uma história de super-heróis para adultos. Não apenas pela alta carga de violência, mas também pelo conteúdo e pelas questões que o filme levanta.
Vale ressaltar a atuação de Jackie Earle Haley no papel de Rorscharch, um personagem ambíguo que segue um código de ética bem próprio, beirando a loucura em certos momentos, e o Dr. Manhattan, interpretado por Billy Crudup, sempre distante e melancólico com seu tom de voz suave, mostrando como o personagem não possui mais ligação com a humanidade. A trilha sonora é repleta de acertos, como a incrível abertura ao som de The time they are a-chagin do Bob Dylan. Mas algumas boas canções são utilizadas em momentos errados, como Hallellujah de Leonard Cohen que serve de fundo para a cena mais quente do filme. Outro erro, esse imperdoável, é a regravação de Desolation Row do Bob Dylan pelo infame My Chemical Romance.
No mais, Watchmen merece ser visto tanto por fãs de quadrinhos como por qualquer pessoa que esteja interessada em um filme de ação inteligente e cheio de cenas memoráveis. Em cartaz no Cinemark Campo Grande em vários horários.
Ex-jornalista desempregado, antes na cidade errada, em tempos errados; agora em novíssimo e perfeito tempo - hora e lugar certos. Tá?
ResponderExcluirSuperbj...
Censura 18 anos? Que boa notícia!!!!
ResponderExcluirmy chemical romande
ResponderExcluir:/
fods