Campo Grande foi palco de um evento bem legal, a III Semana pra Dança realizada pela Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul contou com uma programação especial que animou a vida cultural da cidade. Um mostra de vídeo, um workshop com profissionais renomados, o lançamento do livro “Vozes da Dança” que traz perfis de artistas do estado, além de dois espetáculos nacionais muito bons. Assisti apenas aos espetáculos, que tiveram entrada grátis, e quero falar um pouco sobre o que vi.
Na última quinta-feira, o teatro Aracy Balabanian recebeu três bailarinos que levaram para o palco seus questionamentos sobre a morte. Em “Tudo o que imagino sobre a morte”, Esther Weitzman e seus convidados apresentaram movimentos que variavam entre a beleza e a dor, entre a tensão e a paz, para expressar aquilo que os move e faz com que se transformem. Com belíssimas escolhas para a trilha do espetáculo e poucos recursos, me surpreendi com o que vi no palco. Movimentos que pareciam espontâneos se mesclavam à tensão dos corpos em cena. Gostei do que vi e fiquei feliz por saber que essa foi a primeira apresentação de “Tudo o que imagino sobre a morte”.
“Isabel Torres” foi o outro espetáculo apresentado na cidade graças ao evento. No palco do teatro Sesc/Horto, a bailarina Isabel Torres, integrante do corpo de baile do Theatro Nacional do Rio de Janeiro, apresentou um monólogo permeado por números de dança em que dialogavam as alegrias e angústias de uma carreira de 27 anos. Impossível dizer que não foi tocante ouvir uma bailarina dizer que odiava participar de certos balés, como certos períodos de “O lago dos Cisnes” de Tchaikovsky, ou que um de seus momentos mais felizes foi também tão singelo quanto correr em círculos no palco. Definitivamente a desconstrução do mito do artista provocada pelo espetáculo é genial. Pensado pelo coreógrafo francês Jeromé Bel, o único problema da peça é ser curta demais.
Mas, infelizmente, a semana já passou. No entanto, mais dança para os Campo-grandenses já que nesta quarta (22) o Ginga Companhia de Dança se apresentará com o espetáculo Cultura Bovina no palco do Sesc/Horto. É ótimo ver a vida cultural da cidade aquecer dessa forma e proporcionar ao público uma programação cheia de obras que valem a pena serem vistas vezes e vezes.
bump
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