18/06/2009

Bergman e o silêncio

Descobri Bergman graças a um professor na faculdade. Ele me falou sobre a experiência louca que foi assistir filmes como Gritos e Sussuros, Morangos Silvestres e Sétimo Selo. Fiquei fascinado pela rápida apresentação feita por esse professor e voltei pra casa louco pra assistir os filmes desse diretor até então desconhecido. Loquei O Sétimo Selo e, junto com alguns colegas, fiquei pasmo diante de um dos melhores filmes que já assisti. Isso aconteceu há pouco mais de quatro anos. Assisti vários filmes do diretor, entre eles Luz de Inverno, um dos quais mais me marcou até hoje.

Hoje revi Morangos Silvestres, um dos mais clássicos trabalhos de Bergman. Lançado em 1957, o filme nos apresenta Isak Borg, um médico de 78 anos que pretende viajar para Lund, uma cidade sueca, para receber um título da universidade por seus muitos anos de carreira. Um homem duro e frio que desde os primeiros instantes do filme aparece obcecado por sua velhice e pela idéia da morte.

Os temas clássicos do universo de Bergman estão presentes. A morte, a solidão, os relacionamentos mal-fadados, o vazio da existência, estão todos ali e nos são apresentados com a direção peculiar do diretor. Contudo, o pessimismo característico de Bergman é deixado de lado nesse filme onde o perdão é uma possibilidade, assim como a morte, além do medo, pode trazer uma chance de se transformar. O último plano do filme nos mostra um Isak descansado que conseguiu fazer com que suas feridas há tanto abertas se cicatrizassem e, enfim, pôde dormir em paz.

Não é meu filme favorito, mas sempre vale a pena relembrar cenas marcantes como o enigmático sonho que Isak Borg tem nos primeiros minutos da história. Bergman permanece como um dos grandes autores de cinema e assim como afirmou Godard na Cahiers du Cinema, o diretor sueco filma para encontrar respostas. E suas perguntas nunca nos foram tão necessárias.

0 comentários:

Postar um comentário

Obrigado pelo comentário!