
To me, it's so simple, that life should be lived on the edge of life. You have to exercise rebellion.
To refuse to tape yourself to the rules, to refuse your own success, to refuse to repeat yourself, to see every day, every year, every idea as a true challenge. Then you will live your life on the tightrope.
Qualquer pessoa que pronunciasse essa frase correria o risco de soar clichê demais, esvaziando qualquer significado mais profundo que a frase suscita. Mas quando dita pelo francês Philippe Petit ela me pareceu real e verdadeira como poucas frases já ouvidas. Um excêntrico francês que não consegue permanecer quieto e que descobriu um dom muito particular, a habilidade de se equilibrar sobre cabos de aço. É esse homem que resolve recusar a se repetir e decide viver a vida no limite lançando-se a uma das proezas mais incríveis que já assisti; atravessar o abismo entre as torres do World Trade Center equilibrando-se sobre um cabo, sem nenhuma proteção. Isso aconteceu em sete de agosto de 1974 e o documentário Man on Wire (O equilibrista) tenta explicar exatamente como tudo se deu. Os depoimentos do cúmplice Jean-Louis Blondeau e, a namorada na época, Annie Allix, além de alguns outra franceses, americanos e australianos, dão forma a experiência de Petit e nos fazem vivenciar juntamente ao grupo cada instante do golpe por eles praticado.
Com um acervo gigantesco de imagens de arquivos, o filme documenta toda a tragetória de Petit, valendo-se de alguns trechos ficcionais para cobrir aquilo que não foi filmado pelos integrantes da trupe do francês. A edição consegue entremear a vida e o passado do equilibrista com a preparação para o grande ato de sua vida. Os depoimentos são emocionantes, pois mostram a fé que os amigos mais íntimos e a companheira depositavam nas idéias de Petit, levando-os vez ou outra a chorar diante da câmera.
Apesar das várias dificuldades para execução do projeto, Petit não desiste e em momento algum se desânima. Quando perguntado sobre o medo de morrer, o equilibrista afirma que seria uma bela morte, morrer fazendo aquilo que ama. E esse é o clima do filme, a realização de um sonho que não pretende ser bem aceito, um exercício de rebeldia que mostra que é possível fazer aquilo em que se acredita. Um documentário bem executado que tenta reproduzir o inefável, como é bem explicado na afirmação de um dos policiais que estava presente esperando para prender Petit: "me dei conta de que estava presenciando assistindo algo único, que ninguém, em todo o mundo, teve a oportunidade de ver".
Marsh acerta ao não fazer menções aos atentados de 11 de setembro. Seu filme é sobre a beleza de um ato, um ato artístico que como toda arte pretende criar. Mesmo que Petit pudesse ser um grande interlocutor sobre os atentados, não cabe ao filme. Utilizá-lo seria uma banalização tanto dos atentados quanto da proeza do equilibrista.
O Equilibrista (Man on Wire), de James Marsh (Inglaterra/EUA, 2008)
world trade center?
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