
Assim como Tropa de Elite, Salve Geral (Sérgio Rezende, 2009) é um filme de ação. Possui certa pretensão a tratado sociológico, mas isso passa quase despercebido. Se em 2008, Tropa de Elite ficou fora da indicação brasileira ao prêmio americano, Salve Geral tenta corrigir esse "erro". Infelizmente, o filme de Sérgio Rezende é bastante inferior ao longa que retrata o dia a dia dos policiais do BOPE.
Após uma briga, Rafa (Lee Thalor) atira em uma menina. A polícia o prende e duzentas pessoas são testemunhas do crime. Andréa Beltrão entra na história como Lúcia, a intrépida mãe que se fará de tudo para salvar o filho. Esse é o enredo que serve para nos colocar dentro da prisão e mostrar como o PCC organizou os ataques a São Paulo em 2006. Vemos Lúcia se metendo com todo o tipo de mal elementos do crime organizado em uma tentativa pífia de conseguir ajuda para o filho.
Entretanto, a relação mãe e filho é um dos primeiros problemas que se nota. Afinal, como uma mãe que deseja tanto tirar o filho da prisão deixa de visitá-lo por três semanas para ter uma relação com o "professor", um dos comandantes do PCC? A relação entre Lúcia e o "professor" também é duvidosa. Tudo começa de forma inexplicada, com algo que parece mais uma tentativa de estupro que o florecer de um amor e acaba da forma mais esperada possível.
Nenhum dos personagens é bem desenvolvido e as relações são muito superficiais. Outro problema são as interpretações, pois até mesmo Andréa Beltrão, um dos nomes de peso do longa, não parece se esforçar para se tornar Lúcia. Parece que a atriz entende como interpretação fazer cara de choro durante 90% do filme.
Sabemos que a realidade carcerária do país é desumana, com presídios abarrotados de gente e sem as mínimas condições de funcionamento. No entanto, criar o caos na cidade e assassinar milhares de policiais não é a melhor forma de fazer reivindicações. Quando Lúcia afirma para a irmã que nem todos que estão presos são desalmados sem coração, o filme perde qualquer força documental.
Salve Geral é o indicado brasileiro ao Oscar de melhor filme estrangeiro para 2010. Duvido muito que consiga uma indicação oficial e entre na disputa. A explicação é simples: o filme é fraco, possui um roteiro simplista e seu conteúdo é superficial. O país tem produzido muitos filmes de qualidade, ultimamente, mas parece que o grande referencial para quem merece prêmios ainda é o tamanho do orçamento.
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