A inquietante busca pelo que não pode ser encontrado no outro é o que parece movimentar o espetáculo "Amor líquido" da companhia de dança Ginga. Durante menos de quarenta minutos, seis dançarinos se encontram e desencontram no palco, em rápidos esbarrões e beijos angustiados. São casais que se formam e se desfazem, trocam de parceiros, se mesclam e se abandonam, deixando, por vezes, se levar pela solidão do dia a dia.
Como explica o grupo, o nome “Amor Líquido” já existia antes de todos lerem o livro homônimo do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, mas quando se descobriu o livro, percebeu-se também a forte relação entre os nomes. O subtítulo do livro também serviria ao espetáculo, “A fragilidade dos laços humanos”. Disso provém a liquidez do amor, da fragilidade com que as relações se criam e se desfazem. E é basicamente o que experimentamos durante o tempo em que ficamos sentados no teatro.
Fluidez é uma palavra que representa bem o que nos é mostrado no palco. Desde a trilha muito bem composta por Jonas Feliz aos corpos dos bailarinos que se desdobram em movimentos aflitos, fluidez é a palavra de ordem. Por sinal, os corpos dos bailarinos muitas vezes me trouxeram a mente quadros do pintor expressionista austríaco Egon Schiele. E nesse ponto, toda fluidez contrasta com a dureza do que nos é mostrado. O desespero que envolve amar e não ser amado ou amar e ser trocado surge com força nas imagens criadas pelos casais dançarinos.
Facilmente se percebe o cuidado de Chico Neller com a composição dos movimentos e a marcação dos bailarinos. Esse é o ponto onde a fluidez se mostra mais presente. Os bailarinos Débora Higa, Gustavo Lorenço, Júlia Aissa, Julio César Floriano, Letícia Torales e Yan Leite Chaparro conseguem dosar a dramaticidade do espetáculo com a leveza de seus movimentos. Mas quando é necessária força, eles também a demonstram.
Entre as artes cênicas, provavelmente a dança desponta como a mais abstrata, mas que isso não se confunda com falta de significado, pois em Amor líquido, o significado surge nas relações entre aquilo que se vê no palco e o que se vê no mundo. A falta de palavras não impede a comunicação entre público e bailarinos. E como em todo objeto de arte contemporânea, essa troca abre espaço para várias interpretações.
*acho que nunca publiquei esse texto aqui.
Como explica o grupo, o nome “Amor Líquido” já existia antes de todos lerem o livro homônimo do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, mas quando se descobriu o livro, percebeu-se também a forte relação entre os nomes. O subtítulo do livro também serviria ao espetáculo, “A fragilidade dos laços humanos”. Disso provém a liquidez do amor, da fragilidade com que as relações se criam e se desfazem. E é basicamente o que experimentamos durante o tempo em que ficamos sentados no teatro.
Fluidez é uma palavra que representa bem o que nos é mostrado no palco. Desde a trilha muito bem composta por Jonas Feliz aos corpos dos bailarinos que se desdobram em movimentos aflitos, fluidez é a palavra de ordem. Por sinal, os corpos dos bailarinos muitas vezes me trouxeram a mente quadros do pintor expressionista austríaco Egon Schiele. E nesse ponto, toda fluidez contrasta com a dureza do que nos é mostrado. O desespero que envolve amar e não ser amado ou amar e ser trocado surge com força nas imagens criadas pelos casais dançarinos.
Facilmente se percebe o cuidado de Chico Neller com a composição dos movimentos e a marcação dos bailarinos. Esse é o ponto onde a fluidez se mostra mais presente. Os bailarinos Débora Higa, Gustavo Lorenço, Júlia Aissa, Julio César Floriano, Letícia Torales e Yan Leite Chaparro conseguem dosar a dramaticidade do espetáculo com a leveza de seus movimentos. Mas quando é necessária força, eles também a demonstram.
Entre as artes cênicas, provavelmente a dança desponta como a mais abstrata, mas que isso não se confunda com falta de significado, pois em Amor líquido, o significado surge nas relações entre aquilo que se vê no palco e o que se vê no mundo. A falta de palavras não impede a comunicação entre público e bailarinos. E como em todo objeto de arte contemporânea, essa troca abre espaço para várias interpretações.
*acho que nunca publiquei esse texto aqui.
Bauman esta na moda na burguesia paulistana. Achei puro oportunismo explorá-lo num discutível expetáculo de dança. Coisas da provincia de SP.
ResponderExcluirque legal seu texto Thiago!!
ResponderExcluirPuxa, muito legal ver alguém escrever sobre dança sem precisar ser especialista no assunto.
O significado surge da relação entre o que se vê no palco e o que se vê no dia-a-dia..realmente.
A estética líquida do espetáculo é bem evidente, mesmo.
Apesar de Bauman estar na moda paulistana, acho que a liquidez dos relacionamentos é vivida em Campo Grande e é o que toca atualmente o coreógrafo da companhia. Se não fosse uma sensação sincera (apenas seguimento de padrões inventados) não teria uma linguagem tão bem incorporada..