17/03/2010
tão vazio que faz eco. assim era seu peito e a batida seca do coração que servia para pouco mais que irrigar sangue pelo corpo. os sorrisos perderam a alegria, os olhos não brilhavam mais e os gestos leves tornaram-se pesados. toda graça esvaiu-se. e o tempo passou. no final, resta apenas o cinismo; pensou. acordava cedo todos os dias, pensava que podia fazer mais, viver mais, mas não queria; a vida cansou-lhe insistentemente nos últimos quarenta anos. cada sonho, esperança, alegria e mesmo toda a fé transformou-se em descaso e ironia. mentia por afeto e cantarolava canções que lembrava, não mais porque gostava, simplesmente porque elas lhe vinham a mente. no início, acreditava que amadurecer o tornaria um homem melhor e mais cauteloso, sábio e cheio de si. mentira, disse para si mesmo, ficar velho é só uma forma de tornar-se um sem vergonha sem ninguém para lhe apontar o dedo. sentia falta do dedo lhe apontando a face, era a única coisa que sempre o impediu de ser o cínico em que se tornou.
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mario vargas llosa menininho.
ResponderExcluiraparece.
achei seu blog por aí e gostei.
ResponderExcluirGostei daqui. Abs,
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