Teatro é palavra. Teatro também é corpo. Em um espaço cênico demarcado por objetos cotidianos - uma televisão ali, um rádio aqui, uma vitrola acolá - quatro atores encenam “Aqueles Dois”, conto homônimo de Caio Fernando Abreu. Corpos e palavras são os principais elementos deste trabalho, que foi encenado em Campo Grande três vezes, durante a 5º Aldeia Sesc Terena de Artes. Assim como a literatura do escritor gaúcho, a encenação é repleta de intimismo, em certos momentos, parece que conhecemos aqueles atores há muito tempo.
Ao se entrar no Teatro Prosa, do Sesc Horto, o ator Odilon Esteves lê trechos do horóscopo de jornais do dia, enquanto Marcelo Souza e Silva, Rômulo Braga e Cláudio Dias, que completam a Cia. Luna Lunera, fazem jogos de cena e utilizam técnicas e contato improvisação, que mais tarde serão melhores exploradas. Desde o início, o contato com a platéia é grande, o que acaba gerando maior sensação de proximidade. Canções e velhos discos de vinil dão o tom da montagem, que traz diversos elementos do universo de Caio Fernando Abreu.
Os quatro atores não representam personagens únicos. Todos assumem as figuras centrais do conto, Saul e Raul, dois homens que se encontram em uma repartição pública. Assim tem início a grande amizade, que levará os colegas a acreditar que ali há uma relação homossexual. A beleza do texto está na sutileza com que o autor brinca com a questão, sem nunca afirmar ou negar as suposições.
Talvez haja um certo exagero no didatismo, com os atores lendo trechos do conto excessivamente, mas isso não atrapalha o quadro geral. No mais, mesmo a cena de nudez completa dos quatro, quando Raul e Saul dividem o quarto e se despem por causa do calor, mostra-se necessária. O espetáculo, dirigido pelos próprios atores ao lado de José Walter Albinati, outro integrante da companhia, foi uma grata surpresa para os palcos de Campo Grande.
Ao se entrar no Teatro Prosa, do Sesc Horto, o ator Odilon Esteves lê trechos do horóscopo de jornais do dia, enquanto Marcelo Souza e Silva, Rômulo Braga e Cláudio Dias, que completam a Cia. Luna Lunera, fazem jogos de cena e utilizam técnicas e contato improvisação, que mais tarde serão melhores exploradas. Desde o início, o contato com a platéia é grande, o que acaba gerando maior sensação de proximidade. Canções e velhos discos de vinil dão o tom da montagem, que traz diversos elementos do universo de Caio Fernando Abreu.
Os quatro atores não representam personagens únicos. Todos assumem as figuras centrais do conto, Saul e Raul, dois homens que se encontram em uma repartição pública. Assim tem início a grande amizade, que levará os colegas a acreditar que ali há uma relação homossexual. A beleza do texto está na sutileza com que o autor brinca com a questão, sem nunca afirmar ou negar as suposições.
Talvez haja um certo exagero no didatismo, com os atores lendo trechos do conto excessivamente, mas isso não atrapalha o quadro geral. No mais, mesmo a cena de nudez completa dos quatro, quando Raul e Saul dividem o quarto e se despem por causa do calor, mostra-se necessária. O espetáculo, dirigido pelos próprios atores ao lado de José Walter Albinati, outro integrante da companhia, foi uma grata surpresa para os palcos de Campo Grande.
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