Quem eu sou é, antes de tudo, uma questão sem reposta. Mas acredito que esteja relacionada a limites. Eu sou eu porque não sou outro, não é? Entretanto, essa afirmação é bem mais complexa. Como eu, que não sou outro, posso então me definir? Apesar de não saber exatamente, tento. Primeiramente, tenho 23 anos e acredito que ter nascido no final da década de 1980 tem bastante influência sobre a maneira como penso, ajo e sinto, assim como ter visto muita televisão quando criança e descoberto “The Smashing Pumpkins” no começo da adolescência também tiveram.
Sou jornalista, graduei-me em 2008 e, atualmente, estou cursando história na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Trabalho em uma revista sobre saúde e a experiência tem sido mais agradável do que eu poderia imaginar. Também possuo um blog, o qual sempre tento manter atualizado com textos sobre política, cinema, artes plásticas e qualquer outra coisa que me interesse.
Se meus gostos, ou experiências, fossem outros, eu seria outra pessoa? É uma questão importante em um texto que pretende dizer quem eu sou. Uma pessoa se torna o que é ou nasce sendo quem o que vai se tornar? Por mais filosófica que seja a pergunta e apesar da quantidade de respostas dadas, um grande exemplo é o de Simone de Beauvoir, ainda não sei se poderia fazer escolhas diferentes das que fiz. Ser é um quebra-cabeça muito grande para ser construído.
Infelizmente, acho que não posso responder o que vocês desejam saber. Mas vou falar um pouco mais sobre mim e, talvez, meus contornos se delineiem. Um ponto importante é a escolha do Jornalismo como profissão, essa foi a forma que encontrei de escolher algo, mas ainda assim, me manter aberto para vários assuntos. Acredito que a especialização em alguma área seja importante, no meu caso em jornalismo cultural, literatura ou artes, mas a variedade de aspectos que podem ser trabalhados no jornalismo ainda é muito interessante.
Um ofício que tem como ferramenta a escrita também teve grande peso em minha decisão. Por mais pragmática que seja a função do jornalista, a criação textual ainda possui um apelo lúdico para mim. Não que eu imagine estar escrevendo grandes romances ao montar um texto informativo para a página da revista, mas escolher palavras, construir orações e criar sentidos é uma ótima forma de ganhar dinheiro.
Como qualquer pessoa que se interessa pela escrita, sou um ávido leitor. Infelizmente, leio menos do que gostaria, mesmo lendo mais do que posso. Literatura é o que mais de instiga, mas também leio sobre filosofia, sobre história, sobre arte e sobre outras coisas não tão interessantes. Terminei não faz muito tempo “O som e a fúria” do escritor americano William Faulkner, um clássico modernista incrivelmente angustiante sobre a decadência de uma família norte-americana durante os anos trinta, após o suicídio de um dos filhos. Tornou-se um dos grandes livros que li e fez com que eu comprasse mais alguns livros do Faulkner.
Desde meus primeiros anos cursando jornalismo, sempre tive certeza de que trabalhar em alguma revista grande ou jornal com veiculação nacional seria a melhor forma de obter satisfação profissional. À medida que o tempo passou, percebi como as coisas são mais difíceis do que parecem e muitas metas que temos acabam sendo deixadas de lado. A realidade é muito mais dura do que parece quando temos 18 anos.
Sei que tive de abrir mão de muitos planos, acredito que isso me moldou de certa forma. Pensei em me tornar escritor, mas tenho um pouco de aversão ao que escrevo. Espero conseguir uma vaga no Curso Abril de Jornalismo, por ser uma forma de conseguir algo que sempre quis, além da possibilidade de entrar em contato com profissionais que venho acompanhando há algum tempo. Sou assinante das revistas Bravo e Piauí, acredito que sejam dois grandes exemplos de jornalismo cultural no país e a ideia de trabalhar ao lado de jornalistas que possuem um trabalho tão interessante é, com toda certeza, instigante.
- Esse texto me fez passar na primeira fase do curso abril de jornalismo. Fiquei entre os cento e poucos selecionados de mais de dois mil. Achei que conseguiria, mas entrevista feita por celular com sinal fraco e depois do almoço acaba com qualquer um.
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