Por que prefiro elas?
Tenho um fraco por cantoras. A voz feminina costuma me atrair com uma força bastante diferente que os vocais feitos por homens, não importando estilo musical, gênero ou qualquer coisa que o valha. Vocais femininos têm leveza, mesmo quando são os de Courtney Love esbravejando a todo pulmão, ou de Tracyanne Campbell, do Câmera Obscura, sussurrando suas doces canções sobre amores e corações partidos. Gosto tanto de ouvir meninas cantando que é difícil escolher alguns nomes para apresentar aos leitores desta singela coluna semanal. Mas vamos lá!
“What kind of animal are we?”
Nunca imaginei que fosse me tornar fã de uma havaiana. Quando conheci o pop do duo californiano Devics, logo reparei na voz agridoce da vocalista Sara Lov. A banda lançou cinco álbuns, destacando-se o último lançamento, “Push the heart”, de 2006. Depois disso, a banda sumiu e somente esse ano encontrei a voz de Sara mais uma vez, em seu primeiro trabalho solo lançado ano passado, “Seasoned eyes were beaming”. Tente não se emocionar enquanto a voz suave e ácida canta os versos de “Animals”.
“Car personne ne m’aime”
Conheci a francesa Françoise Hardy por conta do filme “Os sonhadores”, de Bernardo Bertolucci, de 2004. Um pouco atrasado, não nego. A cantora fez sucesso nos anos 60, com inúmeras canções tornando-se hits instantâneos. Ao passar por sua qualificação acadêmica, o baccalauréat, seu pai lhe deu uma guitarra. Logo, Françoise passou a compor e, após ver um anúncio em jornal procurando jovens cantoras, ela assinou com o selo Vogue. Um ano depois lançaria a canção que a tornou conhecida internacionalmente, e foi escolhida por Bertolucci, “Tous les garçons e les filles”. A canção capta toda a melancolia dos jovens em busca de seu primeiro amor. É um verdadeiro hino!
“Acho que eu mesma esqueci o tom”
A voz delicada combina com as canções confessionais cheias de referências às tristezas da vida compostas pela própria Tiê. Um dos novos nomes da música nacional, a cantora paulista mescla em seu som elementos como a chanson française e o folk norte-americano, sem medo de fazer música cosmopolita para ser consumida em qualquer lugar do mundo. “Sweet jardim”, seu primeiro álbum, foi lançado em 2009, tem aquele tom intimista que sempre me atrai. As canções são simples, a base é sempre o violão tocado por Tiê, mas elementos inusitados surgem de vez em quando. É um bom retrato dessa geração que beira a entrada nos 30 anos, mas ainda não sabe qual o lugar que lhe pertence.
“Oh, what can you do with a sentimental heart”
Em “Quase famosos”, de Cameron Crowe, ela era a irmã do protagonista, um pequeno papel em que passava quase despercebida. Mas, quando estrelou “500 dias com ela”, Zooey Deschanel já era figura conhecida, principalmente como a doce voz da banda She & Him, na qual fazia parceria com o músico M. Ward. Além da voz, a beleza desta californiana de 30 anos encanta. Dois albúns lançados que giram em torno relacionamentos e corações sentimentais, a música da dupla é definida como uma “primavera eterna”. As letras podem ser tristes, mas não são frias ou deprimentes. Pelo contrário, são baladas indies para aquecer corações. Não é a toa que ela é casada com Ben Gibbard, vocalista do Death Cab For Cutie.
“What kind of animal are we?/
I should have never let you into me/
But I never, never learned to swim/
Until you came around and pushed me in/
Either in love or never in love/
Always run away, always run away”
(Sara Lov)
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